O cine-balé de Hoppin e Gross

La Joie de Vivre (A alegria de viver, 1934)

O produtor americano Hector Hoppin e o pintor inglês residente em Paris Anthony Gross (1905-1984) fundaram em 1932 um pequeno estúdio chamado Animat e realizaram, entre outras animações, o surpreendente La Joie de Vivre (A alegria de viver, 1932), baseado numa série de gravuras de Gross e apresentado como um “cine-balé”, sem diálogos nem narração.

Desenhada em elegante estilo Art Deco, a ousada animação celebra a joie de vivre de duas garotas livres, que passeiam de braços dados, dançam como par amoroso, nadam nuas e se divertem na natureza, contra um fundo futurista de fábricas, redes elétricas e ferrovias que se expandem ao infinito, até que uma delas perde o sapato numa Caixa de Luz Industrial. Um rapaz encontra o sapato e passa a perseguir as garotas para devolvê-lo.

Identificado pelas garotas com o “Perigo” escrito na porta da Caixa de Luz de onde sai, o rapaz representa, aparentemente, uma ameaça à liberdade que elas gozam em seu mundo particular. Por fim, o rapaz alcança as fugitivas com sua veloz bicicleta e, explicando porque as perseguia, mostra o sapato que achara.

Aliviadas, as garotas adotam o rapaz e formam com ele um alegre trio, numa versão moderna da Cinderella (1697), de Charles Perrault. Montados na bicicleta, os três zarpam entre as nuvens, como décadas depois Steven Spielberg simbolizaria a felicidade em seu E.T. (1982).

La Joie de Vivre em versão integral restaurada com trilha musical original:

https://www.youtube.com/watch?v=LAj5VjgTdQw.

La Joie de Vivre em versão reduzida restaurada com trilha moderna de Chogori:

https://www.youtube.com/watch?v=1OU0nCjOXKc

Fonte:

The Shock Of The New. https://cartoonresearch.com/index.php/the-shock-of-the-new/